Caminho / Do Arco-da-velha - Contos e expressões da tradição popular

“A verdade popular

Nem sempre ao sábio condiz,

Mas há verdade serena

Nas coisas que o povo diz”.

 

Adelmar Tavares

 

 

Os contadores e cantadores tradicionais, de todas as regiões, transmitiram, de geração a geração, um inestimável legado cultural, como trovadores populares à moda dos menestréis, trazendo ainda heranças da Idade Média, bem caracterizados nos causos e literatura de cordel, nas quadras e trovas, com seus símbolos adaptados às condições e costumes mais atuais, mais nossos.

 

Esses artistas da expressão oral atuaram, desde sempre, como guardiões de um tesouro, representado por nossas ricas tradições de histórias e ditados populares. Essas expressões, ao mesmo tempo em que são testemunhos de uma cultura local, são também manifestos da condição humana, porque falam de sentimentos e crenças universais, criando assim o sentido de um pertencimento que transcende fronteiras.

 

Histórias de Trancoso, contos de assombração, causos do interior, aventuras de Malasartes, improvisos de repentistas e a sabedoria dos provérbios, são o retrato de modos de vida seculares de nosso povo, responsáveis por perpetuar uma arte expressiva imemorial que estreita laços de diferentes culturas.

 

 

“(...) Os ditados, provérbios, frases-feitas eram moeda corrente no comércio diário familiar. Recorriam aos exemplos sacros e aos reparos dos antepassados: - Como dizia meu avô: um gambá cheira o outro... E as imagens expressivas: - dar nó em pingo d’água, comprida como a paciência de pobre, boca aberta como sino. O caçador vivia da boca de uma espingarda. O pescador vivia da vontade dos peixes. Depois da ceia faziam roda para conversar, espairecer, dono da casa, filhos maiores, vaqueiros, amigos, vizinhos. Café e poranduba. Não havia diálogo, mas uma exposição. Histórico do dia, assuntos do gado, desaparecimento de bois, aventuras do campeio, façanhas de um cachorro, queda num grotão, anedotas rápidas, recordações, gente antiga, valentes, tempo da guerra do Paraguai, cangaceiros, cantadores, furtos de moça, desabafos de chefes, vinganças, crueldades, alegrias, planos para o dia seguinte.

 

Todos sabiam contar histórias. Contavam à noite, devagar, com gestos de evocação e lindos desenhos mímicos com as mãos. Com as mãos amarradas não há criatura vivente para contar uma história.  (...)

 

Era o primeiro leite alimentar da minha literatura. Cantei, dancei, vivi como todos os outros meninos sertanejos do meu tempo e vizinhanças, sem saber da existência de outro canto, outra dança, outra vida.”

 

Luís da Câmara Cascudo

Do Arco-da-velha - Contos e expressões da tradição popular

ATUAÇÃO

 

Elaboração do projeto e produção: Luis Carlos Teixeira

Coordenação das oficinas: Nilton Rodrigues

Pesquisa e narração de histórias: Adriane Havro

Atuação musical: Nélio Spréa

Figurinos: Adriana Alegria

Ambientação e adereços: Ricardo Garanhani

Design gráfico: Adriana Alegria

Ilustração: Heliana Grudzien

Assessoria de imprensa e documentação: Guilherme Pupo

 

 

- Projeto pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura.

 

- Oficinas e apresentações de contos e expressões orais da tradição popular brasileira.

 

- 2006 e 2007.

 

- Dirigido gratuitamente a crianças de escolas e entidades assistenciais.

 

- Incentivo da Caixa Econômica Federal.

 

- 120 sessões.

 

- Público a ser atingido: 6.000 crianças.