"Já não observamos mais a roda das estações.
E de repente vem o susto:
é tempo de virar a folhinha do calendário!
O clima mudou, as horas parecem aceleradas,
os anos passam voando.
Mas as forças naturais que tecem o tempo
continuam puxando os fios da chuva, do vento,
do movimento do sol.
Embora muitos não percebam...
Todos os dias o mistério acorda cedo para temperar a vida.
Todas as noites as sementes se preparam para seguir seu ciclo.
Pode acreditar!
Ainda há crianças que cantam parabéns para um tatu-bolinha
e adultos que contam estrelas no céu.
Ainda há crianças que se divertem derretendo cristais de sal.
E adultos que se derretem
como cristais de açúcar...
porque há crianças.
Você pode comemorar!"
Luis Teixeira
Voltando na história, descobrimos que originalmente as festas anuais eram uma expressão da comunhão entre o homem e a natureza, celebrando o próprio ritmo da vida. Era um tempo em que cada um dos ciclos da natureza – frio, calor; chuva, sol; outono, inverno, primavera, verão – era vital, definindo o ritmo da existência individual e coletiva. Contudo, o mais importante talvez seja que, assim, em cada uma dessas festas, o homem renovava sua ligação com algo maior. Ali, ele reencontrava a si mesmo como parte da Unidade, do Todo.
Para nós, hoje, na época da razão, essa vivência às vezes parece muito abstrata e talvez até desnecessária. Para a criança pequena, no entanto, ela é algo essencial. A criança tem uma percepção bastante diferente do adulto: ela ainda pode vivenciar e sentir diretamente, nessas festas, um vínculo primitivo com aquela unidade, que a alimenta e fortalece enormemente.
Nina Domingues
Semente misteriosa,
que caiu da planta ao chão,
que segredos ela guarda
no fundo do coração?
“Eu sou o menor presente
que foi posto em tua mão,
pois parece não ser nada
este pequenino grão.
Mas dele verás crescer,
numa fecunda estação,
uma árvore frondosa
subindo para a amplidão!
Toda a árvore, todinha,
continha o pequeno grão,
esperando o bom momento
para enfim se erguer do chão.
Vale mais que muita jóia
- como percebes então –
o presente pequenino
que foi posto em tua mão.”
Ruth Salles
ATUAÇÃO
- Projeto pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura.
- Oficinas e apresentações de narrativas e tradições que celebram os ciclos da natureza e os ritmos das estações.
- 2006 e 2007.
- Dirigido gratuitamente a crianças de escolas e entidades assistenciais.
- Incentivo da SIEMENS.
- 120 sessões.
- Público a ser atingido: 4.200 crianças.
Elaboração do projeto e produção: Luis Carlos Teixeira
Direção e pesquisa : Nélio Spréa
Atriz: Adriane Havro
Ritmista: Fábio Mazzon
Indumentária: Adriana Alegria
Adereços e ambientação: Márcio Innocenti
Bonecos : Ricardo Garanhani
Design gráfico: Adriana Alegria
Ilustração: Heliana Grudzien
Assessoria de imprensa e documentação: Guilherme Pupo
Artesanato de figurinos : Faitusa e Gabriela